A DoorDash anunciou em 29 de outubro a compra da Instacart em um negócio avaliado em cerca de US$ 17 bilhões. Segundo a Forbes, a oferta é de US$ 65 por ação, 26% acima do fechamento de 22 de outubro (US$ 51,68), último pregão antes das notícias sobre a negociação. Pelo menos 75% do valor será pago em dinheiro, e os acionistas da Instacart poderão escolher entre dinheiro, ações da DoorDash ou uma combinação. É uma das maiores consolidações do mercado de entregas por aplicativo e junta a líder do delivery nos Estados Unidos à empresa que popularizou as compras de supermercado pelo celular no país.
O que muda para clientes, entregadores e mercados
Segundo a Associated Press, a marca e o aplicativo da Instacart vão continuar existindo. Os compradores da Instacart, que separam e entregam os pedidos, poderão seguir atendendo os pedidos da plataforma, e os supermercados poderão escolher trabalhar com uma ou com a outra empresa.
A DoorDash diz que os clientes da Instacart passarão a ter acesso a 50 mil lojas a mais já cobertas pela sua rede. Tony Xu, cofundador e presidente da DoorDash, justificou o negócio dizendo que ele combina a experiência da Instacart em mercado com a logística da DoorDash. "Mercado é uma das coisas mais difíceis de acertar on-line", afirmou, segundo a AP.
O tamanho das duas empresas
Pelos números da AP:
- Instacart: fundada em 2012, atua nos EUA e no Canadá, tem cerca de 600 mil compradores autônomos e fez 338 milhões de pedidos no ano passado. Valia cerca de US$ 14 bilhões na bolsa.
- DoorDash: fundada em 2013 em San Francisco, opera em 40 países, fez mais de 3 bilhões de pedidos no ano passado e conta com 9 milhões de entregadores autônomos. Vale cerca de US$ 73 bilhões.
Os dados de mercado ajudam a explicar o movimento. Segundo a Consumer Edge, citada pela AP, a fatia da Instacart nos gastos com plataformas de entrega nos EUA caiu de 26% para 18% em cinco anos, enquanto a da DoorDash subiu de 44% para 59%. A Uber Eats ficou estável, pouco abaixo de 20%.
A briga pelo carrinho de supermercado
A DoorDash começou a entregar compras de mercado em 2020, fechou parceria com a rede Kroger em 2022 e, no mês passado, passou a entregar pedidos da Costco. Hoje lista as 2.700 lojas da Kroger nos EUA. Com a Instacart, ganha também a tecnologia de separação de pedidos e as relações com grandes redes que a concorrente construiu em mais de uma década.
Há pontos em aberto. A Instacart faz entregas para o Walmart, que deixou de trabalhar com a DoorDash em 2022, e não está claro como essa e outras parcerias vão ficar. A conclusão está prevista para o fim de 2027 ou o primeiro semestre de 2028 e depende da aprovação dos acionistas da Instacart. As reportagens consultadas não detalham a análise das autoridades de concorrência dos EUA, que costuma acompanhar negócios desse porte.
E no Brasil?
Nenhuma das duas empresas opera no Brasil, e o negócio não muda nada diretamente para o consumidor brasileiro. Mas o movimento lembra a disputa local, em que as plataformas de delivery de refeições também avançam sobre as compras de mercado e de farmácia. A lógica é a mesma: quem já tem a rede de entregadores tenta aproveitá-la para vender mais tipos de produto.