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Vendas de PCs caem 20% no mundo com a crise das memórias, e os preços devem continuar altos

Franey Lacerda · · 16 visualizações

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Painel de exposição com módulos de memória DDR5 da SK hynix para servidores, com tabelas de capacidade e velocidade
Módulos de memória DDR5 da SK hynix em exposição. Foto: 4300streetcar / Wikimedia Commons, CC BY 4.0

Segundo a IDC, 62,7 milhões de PCs foram vendidos no mundo no terceiro trimestre de 2026, 20,1% a menos que um ano antes. A falta de memória, puxada pelos data centers de IA, encareceu os computadores, e a consultoria prevê preços acima dos de 2025 mesmo com promoções pontuais.

Os números

As vendas mundiais de computadores despencaram no terceiro trimestre de 2026. Segundo dados preliminares da consultoria IDC, divulgados em 8 de outubro, foram entregues 62,7 milhões de PCs entre julho e setembro, 20,1% a menos que no mesmo período de 2025 (78,5 milhões). Em relação ao segundo trimestre, a queda foi de 9,1% — justamente quando costuma haver alta, com a volta às aulas no hemisfério norte.

A Omdia, outra consultoria do setor, chegou a um total menor, de 58,1 milhões de unidades, e a uma queda parecida, de 21,2%.

Quem mais perdeu

Unidades vendidas no terceiro trimestre de 2026, participação de mercado e variação em relação ao mesmo período de 2025:

  • Lenovo: 14,9 milhões (23,8%), queda de 22,6%
  • HP: 10,3 milhões (16,5%), queda de 30,9%
  • Dell: 7,6 milhões (12,1%), queda de 25,0%
  • Apple: 5,9 milhões (9,5%), queda de 11,3%
  • ASUS: 5,5 milhões (8,7%), queda de 8,6%
  • Outros: 18,4 milhões (29,4%), queda de 14,0%

Fonte: IDC, dados preliminares. Lenovo, HP e Dell, juntas, perderam 4,2 pontos de participação.

Por que as vendas caíram

A IDC aponta três fatores. O primeiro é a antecipação de compras: no primeiro semestre, fabricantes, distribuidores e empresas compraram mais cedo para fugir de aumentos de preço já esperados, e esse volume fez falta no terceiro trimestre. O segundo são as restrições de fornecimento e problemas logísticos. O terceiro são os preços altos, que a consultoria liga à construção de data centers de IA, que disputam memória e armazenamento com os computadores pessoais.

A Omdia dá a dimensão do problema: memória RAM e SSD já respondem por quase 40% do custo dos componentes de um PC, contra cerca de 15% antes, depois de aumentos de preço de mais de quatro vezes.

O que esperar dos preços

Com estoque sobrando nas lojas, pode haver promoções e algum alívio de curto prazo. Mas a IDC não espera a volta dos preços de um ano atrás. “Os preços vão continuar elevados”, afirma Jitesh Ubrani, diretor de pesquisa da consultoria, que vê risco de piora: “Com as condições macroeconômicas piorando, o risco é que a perspectiva para os próximos trimestres piore antes de melhorar”.

Em análise anterior, a IDC já previa queda de 11,3% nas vendas de PCs em 2026 e nenhum alívio relevante na falta de memória antes do fim de 2027. A Omdia projeta nova queda de 24% no quarto trimestre e de 7% em 2027.

E no Brasil?

Os números da IDC são globais, e o levantamento não detalha o mercado brasileiro. Como memória e armazenamento são comprados no mercado internacional, a pressão de custos vale também para os computadores vendidos aqui. Para quem precisa comprar agora, vale acompanhar as promoções de liquidação de estoque e comparar o preço de configurações com mais memória, que foram as que mais encareceram.

Fontes

PCs Memória RAM IDC Notebooks